quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Gaia e Úrano

Olá caros leitores secretos ;)
Já à algum tempo que ando com uma ideia de criar um cantinho para mitologia e aqui está! :D
A sequência de histórias que vou utilizar aqui no blog é a mesma que a do livro "Mitologia: mitos e lendas de todo o mundo". É um dos livros em que tenho feito pesquisa sobre estes asuntos e está muito bem estruturado, daí o seguir a sequência dele.
Espero que gostem e apreciem um dos mais misteriosos temas :D
Primeiro irei tratar da mitologia greco-romana e, como tal, entre parênteses vai conter o nome correspondente de alguns deuses Gregos em romano.

Alguns à partes para ajudar a entender melhor o texto:

-Tártaro:
Na mitologia grega, o Tártaro é personificado por um dos deuses primordiais, nascidos a partir do Caos. As relações de Tártaro com Gaia geraram as mais terríveis bestas da mitologia grega, entre elas o poderoso Tifão.
Da mesma forma que Gaia é a personificação da Terra e Úrano a personificação do Céu, Tártaro é a personificação do Mundo Inferior. Nele são encantradas as cavernas mais profundas e os cantos mais obscuros do reino de Hades, o mundo dos mortos, para onde todos os inimigos do Olimpo são enviados e onde são castigados pelos seus crimes.
 
-Árvore genealógica dos deuses Gregos:
 



Os antigos Gregos consideravam a deusa Gaia, mãe da Terra, como a que deu vida e alimentos aos seus filhos. Gaia tinha múltiplos filhos. Da união de Gaia com o filho Úrano (Urano), deus do céu, nasceu uma linhagem de deuses intitulados por Titãs. Oceano era o deus Titã do grande rio oceânico que para sempre envolverá o mundo, e Tétis a sua irmã esposa. O deus Titã Hiperíon (primeiro deus do sol) e a irmã e esposa era Teia. Ceo e Febe (deusa da Lua), Crono (Saturno) e Reia (Cíbele), Crio, Jápeto, Témis e Mnemósine, completam os restantes doze Titãs. Gaia também gerou os Gigantes de Cem Mãos e os Ciclopes (gigantes que tinham um só olho no meio da testa). Ela tinha muitos netos, incluindo as Três Parcas, as nove Musas e os dois jovens Titãs, Prometeu e Epimeteu.

Cronos a castrar Úrano
Úrano não permitia que os filhos vissem a luz do dia porque tinha medo do poder que eles tinham. Talvez fosse prudente em relação à história da família: Caos destronado pelo filho Érebo e depois este pelos próprios filhos. Embora Úrano reinasse em todos os céus, os filhos e as filhas eram forçados a ficarem no subsolo, acorrentados na escuridão da caverna de Tártaro. Gaia enfureceu-se com o marido e encorajou os filhos a conspirarem contra ele. O filho mais novo, Crono, proclamou-se rei do mundo após atacar e castrar Úrano com uma foice. Atirou os órgãos genitais decepados ao oceano e, no sítio onde caíram, formou-se uma espuma da qual surgiu Afrodite (Vénus), a bela deusa do desejo sexual e do amor. Algumas gotas de sangue de Úrano caíram no solo, e delas nasceram as Erínias, Fúrias que atormentam o espírito dos criminosos.
 
 
Bibliografia:
Livro "Mitologia: mitos e lendas de todo o mundo"
Livro "Dicionário de Mitologia Grega e Romana" de .
http://www.infoescola.com/mitologia-grega/tartaro-mitologia/ 
-F

P.S.: Cliquem em cima das imagens para uma melhor visualização, principalmente a da árvore genealógica!

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Dia das Bruxas

Olá caros leitores. Como sempre gostei do Dia das Bruxas, decidi por alguma coisa sobre esta ocasião. Ainda falta uns quantos dias, mas como hoje tive tempo decidi postar já ;)
Espero que gostem :D



Festejamos o Dia das Bruxas a 31 de outubro. Esta ocasião é originária da Irlanda. Os povos celtas acreditavam que, na véspera do Dia de Todos os Santos, os espíritos voltavam para as suas casas.

O Halloween foi levado para os Estados Unidos pelos colonizadores. É, hoje em dia, uma das mais populares festas nesse mesmo país. Fantasiados, as crianças (e alguns adultos) percorrem a vizinhança repetindo a frase “Trick or Treat?” e recebem doces.

Há várias lendas sobre este dia, tais como, o Cavaleiro sem cabeça, Vlad o Empalador, Slender Man e Jack O’Lantern (a lanterna de Jack).

Jack O’Lantern (a lanterna de Jack):
 

Geralmente, no dia 31 de outubro, o que mais se vê são abóboras com uma vela acesa. Essas abóboras são chamadas de Jack O’Lantern.

Reza a lenda que no dia 31 de outubro, um homem chamado Jack, um alcoólatra, bebeu excessivamente e como castigo pelos seus pecados, o Diabo veio buscar a sua alma. Desesperado, Jack implora por mais um copo de bebida e o Diabo concede. Jack estava sem dinheiro para o seu último copo de bebida, então ele pediu ao Diabo para transformar-se em moeda. O Diabo assim fez. Jack mal vê a moeda sobre a mesa, rapidamente guarda-a na carteira, que tem um fecho em forma de cruz.

Na noite de 31 de Outubro, do ano seguinte Jack estava voltando para casa quando o Diabo aparece. Jack, esperto como sempre fora, convence o diabo a pegar uma maçã de uma árvore. O diabo aceita e quando sobe no primeiro galho, Jack pega um canivete em seu bolso e desenha uma cruz no tronco. O Diabo promete partir por mais dez anos. Sem aceitar a proposta, Jack ordena que o Diabo nunca mais tente pegar a sua alma. O Diabo aceita e Jack o liberta da árvore.

Para seu azar, um ano mais tarde, Jack morre e vai para céu, mas a sua entrada é negada por S.Pedro. Sem alternativa, Jack vai para o inferno. O Diabo, ainda desconfiado e se sentindo humilhado, também não permite a entrada de Jack. Mas, com pena da alma perdida, o Diabo joga uma brasa para que Jack possa iluminar seu caminho pelo Limbo. Jack põe a brasa dentro de um nabo para que dure mais tempo e sai perambulando pelo Limbo.

 

Vlad Tepes III (Vlad, o Empalador):
 

O pai de Vlad III, Vlad II, era membro de uma ordem cristã ocidental chamada Ordem dos Dragões, criada por nobres da região para defender o território da invasão dos turcos. Por isso, Vlad II era chamado de Dracul – (dragão no português) – e, por consequência, seu filho passou a ser chamado Draculea (filho do dragão). A palavra “dracul”, entretanto, possuía um segundo significado (“diabo”) que foi aplicado aos membros da família Tepes por seus inimigos e possivelmente também por camponeses supersticiosos.

Vlad III era conhecido por sua crueldade. Um dia, dois súditos se esqueceram de tirar o chapéu para reverenciar o príncipe, foi por esse motivo que Vlad mandou pregar o chapéu em suas cabeças. Algumas lendas dizem que um dia Vlad viu um aldeão com a camisa toda suja e lhe perguntou se sua esposa era saudável. O aldeão respondeu que sim e sua mulher teve ambas as mãos decepadas, e Vlad arrumou outra esposa para o aldeão e a mostrou o que acontecera com a antiga para que servisse de exemplo. Vlad tinha costume em comer em frente de suas vítimas com os corpos empalados ouvindo seus gritos de agonia.

Muitas dessas histórias e lendas levam a crer que Vlad III seja Conde Drácula. Além disso, a cultura popular também colocou no conhecimento comum referências da Transilvânia, da Romênia e do nome Vlad à cultura do vampirismo moderno.

Já a crença de que Drácula é um morto-vivo meio zumbi nasceu de um facto pitoresco: em uma batalha, o Príncipe Vlad teria levado um golpe na cabeça, que o deixou em coma; alguns dias depois ele teria acordado como se nada tivesse ocorrido e voltou para o campo lutar contra os muçulmanos junto aos seus soldados.

 

Slender Man:
 


O Slender Man tem a aparência de um homem alto e pálido com braços e pernas extremamente longos. Ele também pode conter de quatro a oito longos tentáculos negros que saem das suas costas, embora entusiastas discordem sobre esse facto, algumas pessoas dizem que ele pode “contrair” estes tentáculos de acordo com a sua vontade.

Ele é descrito usando um fato preto muito parecido com os dos Homens de Preto (que também são uma lenda urbana) e, como o nome sugere, aparece muito magro e capaz de esticar os seus membros e o seu tronco para comprimentos desumanos a fim de colocar medo e seduzir as suas vítimas.
Uma vez que os seus braços estão estendidos, suas vítimas são colocados em uma espécie de estado hipnótico, onde essas pessoas ficam sem qualquer reação. 
Seu rosto é pálido e um pouco fantasmagórico. Seu rosto também é objeto de debate, algumas histórias dizem que ele pode mudar a própria face.
Normalmente as vítimas sonham com ele uma noite antes de misteriosamente desaparecerem.

 

O Cavaleiro sem Cabeça:

 
A sua lenda surgiu na Irlanda, onde era conhecido por ser uma mistura de homem e espírito, sem cabeça que era geralmente visto montando um cavalo negro, carregando sua cabeça em baixo de seu braço. Os olhos da cabeça são enormes, a boca está com um constante sorriso que vai de um lado a outro de sua terrível face.

A carne da cabeça tem a textura e o cheiro de um cadáver, é realmente assustadora assim como seu chicote de costelas humanas. Algumas lendas dizem que ele colocava velas dentro de crânios humanos ou em histórias mais modernas em abóboras ou em nabos) para iluminar seu caminho. Partes de seus ossos como das coxas foram perfurados. Ele guarda machados e espadas que consegue tirar das suas vítimas decapitadas.

Algumas pessoas já relataram o estranho ser espectral também dirigindo uma carroça, quando esta é também feita de restos humanos. Uma lenda diz que quando o cavalo do Cavaleiro Sem Cabeça para de correr, uma pessoa irá morrer. A cabeça dele grita o seu nome e, então, a vítima é decapitada.

Bibliografia

O que desejo fazer neste halloween:


                
 
 
 
 
 
                                                                                                                                            -F

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Floresce na sombra do meu peito de Fernando Pessoa

Floresce na  sombra do meu peito,
Vermelha flor de Deus, meu coração...
Suas pe’talas de eu sentir tem jeito
De ter a cor da minha sensação...
Arranquem-mo: é vermelho, e o seu efeito
De existir é esta vida, a confusão
De bem e mal que no meu ser eleito
De brumas faz  e invasão.
E essa vermelha flor de Deus, meu coração,
Que na sombra floresce e no mistério
Entrega, vibração a vibração,
Seu  ao  sidério
Que a espreita do silêncio da amplidão.
                           *
                         
Lírios... Meu nome é sombra nos teus olhos...
Não pertenço senão a não ser teu...
A barca do meu ser tem seus escolhos
No teu silêncio leve como um véu...
                           *
A cor do teu olhar está longe, muito longe...
Como o teu gesto poeira parada no ar
Dentro de mim... E a Hora nunca é de Hoje
Para quem não consegue imaginar.
Leves teus dedos sobre o alvo teclado
Que eu sonho sob seu gesto alado e leve,
Pianíssimo reflectem o sagrado
Anseio que eu encontro ao que esteve
Sempre àquem do meu ócio perfumado.
                           *

As minhas sensações vestem de preto
Seu luto e pela dor de eu mal as ter...
Conservo o tédio, como um   secreto
E afirmo à sombra a luz do meu viver.
                           *

Deus, girassol de assombro e pensamento
Alto e ouro floresceu no meu jardim...
Por quantas alamedas passa o vento
Chorando não lhes encontrar um fim?
                           *

Ah, abertas as portas! E o lamento
Do meu cansado coração, afim
A tu seres o nexo poeirento
Entre o meu horizonte E  mim.
                          *

O reflexo vão da sua sombra vai
Pôr cortinas de seda em minha mente...
Medievais as rosas vitralmente...
Cavaleiros andantes sossegai
Vossa dor barco à  da corrente!
Flor murchando, verdadeiramente.

 espaço deixado em branco pelo autor

3 - 1 - 1915

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
 
 
 
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