sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Tudo que perdi... - Capitulo 4

Olá!
Desculpem por ter demorado tanto tempo a postar um novo capítulo mas tive cheia de testes.
Queria pedir, mais uma vez, que comentassem porque assim eu sei se alguém algum está acompanhar e a gostar. Se não houverem comentários, eu deixo de postar pois não vou postar uma história que ninguém goste, e tento novamente com outra história :)
Bom, é tudo por hoje, espero que gostem do capítulo!
Beijos :)



Já se tinham passado dois meses desde da conversa que Ana e Adam tinham tido no consultório deste, neste tempo Ana e Adam tinham entrado numa rotina, todos os Sábados e quartas-feiras almoçavam juntos, tornaram-se grandes amigos. A princípio Ana não deixou Adam chegar muito perto, tinha medo que se chegasse perto dele e começasse a gostar dele, ele iria embora tal como toda a gente tinha ido. Mas Adam não lhe deu outra escolha a não ser deixá-lo se aproximar, sempre que ela tinha algum problema ou ficava triste, perdida nas suas memórias, Adam aparecia e a fazia sorrir, então mesmo contra a sua vontade Ana começou a gostar de Adam e ele acabou por se tornar o seu melhor amigo, não que ela fosse admitir isso, pelo menos por enquanto.
Enquanto isso, Adam foi descobrindo dentro de si sentimentos desconhecidos, algo que ele nunca tinha sentido e nunca tinha esperado sentir, especialmente por Ana, a ex-noiva do seu melhor amigo. Naqueles dois meses que ele passou com ela percebeu porque o seu melhor amigo se apaixonou por ela e muito lentamente acabou, também ele, por se apaixonar.
Desde que conseguiu identificar os sentimentos que cresciam dentro de si, ele tinha ataques de culpa por pensar em Ana sexualmente, afinal ela era noiva de Rodrigo.
Ana não tinha nem ideia do que se passa na cabeça de Adam, quando pensava nele era com muito carinho e com algum medo, pois achava que ele ia acabar por ir embora, essa ideia era uma obsessão para ela, e Adam sabia disso.
Hoje iam jantar juntos, pois Ana tinha tido uma reunião e não tinham podido almoçar juntos como de costume. Adam estava um pouco nervoso, ia-se ausentar por três dias para participar de uma palestra numa universidade de medicina e não sabia como Ana ia reagir à notícia. Não queria que ela pensasse que a ia abandonar. Tudo bem, parecia exagerado achar que ela ia entrar em pânico só por três dias mas Adam sabia que ela já tinha perdido muita gente, então ia explicar-lhe tudo direitinho para que ela não sofresse qualquer tipo de ansiedade em relação à sua ausência. Esperava realmente que tudo corre-se bem.
- Boa noite. – Diz Adam dando um beijo no rosto de Ana quando chegou ao restaurante e a encontrou já sentada na mesa à sua espera.
- Boa noite. – Respondeu ela com um alegre sorriso. No último mês, ela tinha começado a sorrir mais, isso agradava muito a Adam. Ana tinha um sorriso lindo.
Adam sentou-se e ficou uns momentos a admirar Ana enquanto ela lia a ementa. Era linda, cheia de vida. Nestes últimos dois meses, Adam tinha visto a alegria que ela sentia pela vida voltar muito lentamente para os olhos de Ana. Sentia-se feliz por ela, era bom ver que Ana voltava a ser como era antes, mesmo que nunca a tivesse conhecido como ela era antes de Rodrigo morrer sabia que era exatamente como estava a voltar a ser. Ele sabia que ela tinha uma enorme alegria de viver pelos relatos de Aurora que todas as semanas lhe ligava a perguntar como estava Ana, esses relatos tinham ajudado a que os sentimentos de Adam por Ana evoluíssem.
- Então? E novidades? – Perguntou Ana depois de se decidir pelo que ia jantar.
- Tenho algumas. – Respondeu Adam evasivo. Não queria falar já sobre a palestra. – Aurora já me ligou esta semana. Vem ao continente no próximo fim-de-semana.
  - Pois é, eu sei – Disse Ana animada. - Ela também me ligou. – O garçon chegou à beira deles naquele momento e Adam agradeceu a Deus pois não sabia sobre o que devia falar a seguir.
Depois de pedirem Adam percebeu que ia ter que falar sobre a palestra naquele mesmo momento pois não conseguia encontrar mais nenhum assunto trivial sobre o que falar (ou talvez fosse o facto de estar nervoso com a reação que Ana teria quando soubesse sobre a palestra) e, ao fim de cinco minutos em silêncio, percebeu que Ana também não tinha.
-Tenho que me ausentar da cidade pelos próximos três dias. – Comentou ele de maneira ligeira. Viu um relance de medo nos olhos de Ana e logo depois eles ficaram indiferentes. Adam ficou tenso à espera da sua reação.
- Vais aonde? – Perguntou Ana muito calma.
- Vou a uma palestra na Universidade de Medicina do Porto. – Respondeu também muito calmo, pelo menos aparentava estar calmo.
- Ok. Então suponho que o nosso almoço de Sábado está cancelado. – Comentou ela distraidamente, como se estivesse a pensar noutra coisa.
- A menos que passemos para jantar, está. – Ana olhou para Adam pensativa e logo disse:
- Podias ir comer lá a casa. Eu não gosto muito de sair à noite para jantar. – Explicou. – Prefiro comer em casa.
- Tudo bem. – Respondeu Adam admirado por Ana o ter convidado para alguma coisa. Até ao momento, nunca o tinha convidado para nada, tinha que ser sempre ele a convidá-la para sair ou para realizarem qualquer atividade que fosse.
O ambiente entre eles tinha estado tenso durante toda aquela conversa, mas ao longo da noite voltou, novamente, ao normal, para grande felicidade de Adam que receava que ela se fechasse em si mesma novamente.
Quando acabaram de jantar, Ana propôs que fossem tomar café ao seu apartamento, o que voltou a surpreender Adam, mas este não demorou muito a recompor-se e aceitar com um alegre sorriso na cara.
Era já meia-noite quando Adam se levantou do sofá de Ana, no seu apartamento, para ir embora. Teria que se levantar às seis da manhã no dia seguinte e já tinha ficado mais tempo do que devia mas, naquela noite, não conseguia deixar Ana. Talvez fosse porque não a ia ver durante três dias (o que não era muito estranho pois não era normal ver Ana muitos vezes a não ser nos almoços que tinham) ou talvez tivesse alguma coisa a ver o com a curiosidade que sentia com a alteração do comportamento de Ana com ele, eram mudanças muito subtis mas quem estivesse tão atento como ele estava, perceberia.
Por exemplo, sempre que Adam lhe tocava, Ana ficava ligeiramente sobressaltada, como se tivesse sentido algo que não devia ou não queria sentir.
- Bom, tenho de ir. – Disse Adam a Ana, levantando-se do sofá. Ana parecia desapontada e esta reação intrigou ainda mais Adam. Ana, normalmente, tentava esconder todos os sentimentos mais fortes (na realidade, ela escondia a maior parte dos sentimentos), quem não a conhecesse poderia dizer que é totalmente fria, com total falta de emoções que mostrava ao mundo.
Adam dirigiu-se para a porta, abriu-a para sair mas antes voltou-se para Ana para se despedir e, no ultimo momento, esqueceu completamente todo o seu discurso de despedida ao reparar, mais uma vez, o quão linda estava e fez algo que, ele pensava totalmente inadequada de fazer com uma mulher que ainda estava de luto pelo seu melhor amigo, beijou-a.


-Katra