segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Bilhete de Mário Quintana

Boa noite leitores. Hoje trago um pouco de poesia. Desta vez é de Mário Quintana. Espero que gostem.





Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim, 
tem de ser bem devagarinho, Amada, 
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...



Beijos,
-F



quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Prometeu, Pandora e Licáon - Parte 2

     Olá meus caros leitores. 
    Como prometido (apesar de já ter passado alguns meses), aqui está a continuação da primeira parte de Prometeu, Pandora e Licáon. Para entenderem esta parte, é melhor relembrarem o que foi dito anteriormente. Para isso, podem ver por aqui. 




O Roubo do Fogo

     O pai dos deuses honrou a sua palavra. A divisão da carne feita por Prometeu, seria sempre da mesma maneira para todos os sacrifícios futuros. Zeus, nada podia fazer para alterar o acordo. Este, porém, podia vingar-se tanto da humanidade como de Prometeu que tanto gostava deles, fazendo um novo regulamento. Como castigo, nenhum humano podia usar o fogo, ou seja, não poderiam se aquecer, não podiam forjar armas e, o mais importante, não podiam cozinhar alimentos. Se aos deuses era negada a possibilidade de cozinhar alimentos nos seus altares, aos mortais seria negada a possibilidade de terem alimentos cozinhados nas suas mesas.

     Prometeu subiu ao Monte Olimpo para roubar o fogo dos deuses. Diz-se que a deusa Atena (Minerva) o terá ajudado, visto que, ela protege a inteligência e a habilidade. Prometeu manteve o fogo numa cana oca ou talvez num pé de funcho enquanto descia para o mundo mortal. Viajou por todo o lado onde viviam seres humanos. O Titã espalhou por todo o lado a dádiva do fogo e não tardou a haver tantos fogos em tantas lareiras que os deuses  foram incapazes de os apagar. 



Pandora

Pandora e a caixa.
    Zeus estava furioso e decidiu pregar uma partida à humanidade e aos Titãs. No entanto, Zeus era cauteloso ao tentar enganar Prometeu, embora estivesse muito confiante de que o irmão poderia ser facilmente enganado por Epimeteu, o qual não era o mais esperto dos Titãs. Zeus pediu a Hefesto (Vulcano), o deus ferreiro, para construir uma bela mulher de barro e para a nomear de Pandora, cujo significado do nome é "cheia de todos os dons". O pai dos deuses colocou nos braços de Pandora uma grande caixa que estava selada e disse ao filho Hermes (Mercúrio) que a entregasse a Epimeteu como noiva, sendo um presente dos deuses. 
     Prometeu avisou o irmão para ser muito cauteloso com todos os presentes que viessem de Zeus, que não tinha nenhuma razão para ser amistoso. Como Pandora era uma mulher muito bela, Epimeteu decidiu casar-se com ela. Hermes avisou Pandora para nunca abrir a caixa que possuía. Nas primeiras semanas, Pandora resistiu à tentação mas, de dia para dia, a sua curiosidade crescia. Esta bela mulher pensava que dentro da caixa estaria alguma coisa preciosa e que era injusto por parte dos deuses terem-lhe dado algo e proibi-la de ter esse prazer. Por fim, Pandora abriu a caixa. De dentro da misteriosa caixa, saiu todas as doenças e desastres que assombravam a humanidade. Pandora ainda tentou fechar a caixa, no entanto, só conseguiu manter lá dentro a Esperança. 
     Em outra versão desta história que tenta desculpar os deuses, diz-se que se, de facto, a Esperança estava no fundo da caixa, por certo o resto do conteúdo era igualmente encantador. Nesta versão, a caixa estava a abarrotar de dádivas, as dádivas dos deuses do Olimpo e todas elas, à exceção da Esperança, foram por nós perdidas devido à curiosidade de uma louca. 
   

Curiosidade

     Esta história, de como o mal chegou ao mundo devido à loucura de uma mulher, é o reflexo da história bíblica da tentação de Eva pelo Fruto Proibido, o que trouxe a morte ao mundo juntamente com outras calamidades. Alguns teólogos argumentam que o mito de Pandora é uma imagem fraca da verdade bíblica. Críticos especializados em mitos, frequentemente, classificam todas as mulheres pela introdução do mal no mundo como fruto de uma sociedade patriarcal. 


Bibliografia

Livro "Mitologia e lendas de todo o mundo".
Livro "Dicionário cultural da mitologia Greco-Romana".








Beijos,

-F



quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Intimidade


Boa noite. Esta noite trago um poema de Miguel Torga. 



Meu coração tem quantos versos quer;
É só pulsá-los com medida e rumo.
É só erguer-se a pino a um céu qualquer,
E desse alado azul cair a prumo.

Logo se desvanece o negro encanto
Que os tinha ocultos no condão da bruma;
Logo o seu corpo esguio rasga o manto,
E mostra a humanidade que ressuma.

Mas quanto ele sangra para os orvalhar
De ternura, de sonho e de ilusão,
São outros versos... para segredar
A quem é seu irmão. 



- Miguel Torga in Diário (1943)


Beijos,
-F

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Soneto 116

Boa tarde, hoje trago mais um poema. Boa leitura.


De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera,
Ou se vacila ao mínimo temor.
Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante,
Cujo valor se ignora, lá na altura.
Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfange não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,
Antes se afirma para a eternidade.
Se isso é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou.



-William Shakespeare
Beijos,
-F

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Prometeu, Pandora e Licáon - Parte 1

Olá leitores :)
Como prometido, hoje trago um pouco de mitologia. Estes mitos vão ser divididos entre três a quatro partes. Quero ver se posto cada parte, pelo menos, uma vez por semana.
Boa leitura.




Prometeu e Epimeteu eram dois filhos do Titã Jápeto e da ninfa do mar Clímene.
Prometeu, fazendo valer o seu nome, que traduzido do grego significa "espectativa agradável", era alguém que planeava o futuro. O nome do seu irmão, Epimeteu, significa "olhar para o passado". Apesar de Epimeteu ser bom a prestar atenção ao passado, esta dádiva não o ajudou na sua época de contrariedades. Este par de irmãos, apesar do significado dos deus nomes, não conseguiram viver uma vida feliz.
Sacrifício aos deuses
Após Zeus e os seus deuses terem destronado os Titãs, todos os deuses do poderosos Olimpo queriam que os seres humanos oferecessem sacrifícios de carne. O povo oferecia sacrifícios, conforme os festivais sagrados exigiam, com o objetivo de se alimentarem da carne sacrificada. Tanto os deuses como os humanos procuravam ficar com as melhores partes. Prometeu foi escolhido para cortar um animal para sacrifício para que Zeus pudesse escolher a metade que mais lhe agradasse e para decidir, para sempre, qual metade pertencia ao pai dos deuses e qual metade ficaria para os humanos.
Prometeu sempre quis ajudar a pobre humanidade e deve ter pensado que esta divisão de carne era injusta visto que os deuses nunca tinham tido qualquer trabalho. Por isso, cortou, com todo o cuidado, as carcaças e amontoou a carne comestível por baixo da pele, colocando o estômago por cima, pelo que todo o monte tinha um aspeto pouco apetitoso. Fez um outro monte com ossos cobertos com uma espessa camada de gordura do animal, dando a entender que parecia estar pronto para ser cozinhada para uma festa.
Zeus escolheu o monte de ossos e gordura. Ninguém sabe se ele foi enganado ou se fingiu, pois talvez ele tenha visto mais além, prevendo uma oportunidade de se vingar de toda a humanidade e do Titã Prometeu. De qualquer modo, mais nenhum animal foi sacrificado em nome de um deus e apenas ossos e gordura passaram a arder nos altares. Os deuses têm de se contentar com o cheiro da gordura enquanto que os humanos se banqueteiam com a carne.



Bibliografia:

Livro "Mitologia e lendas de todo o mundo".
Livro "Dicionário cultural da mitologia Greco-Romana".
 
 
Beijos,
-F
 
 

 
 

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Ando pelas ruas desta incerta cidade de Graça Pires


Olá caros leitores,
tanto eu como a Katra andamos desaparecidas por motivos pessoais. Ambas temos de estudar, a Katra na universidade e eu no secundário. O que é certo, é que ambas temos exames à porta. Pedimos desculpas pela demora de posts. Durante esta semana, no máximo, na próxima semana, irei postar um novo artigo sobre mitologia. Portanto, quem gosta de mitologia que fique atento ;)
 
 
Ando pelas ruas desta incerta cidade.
Deixo que o meu olhar
se ajuste ao olhar dos outros.
Entre ruas e rostos há fragmentos de solidão
que denunciam a trágica expressão da vida.
Todos conhecem a oralidade da mudez,
a vigília da revolta, a senha do desdém,
a estranheza de golpes imolando os sonhos.
Eu, com uma fala colada na língua,
somente me consinto
a áspera caligrafia do silêncio.
Graça Pires, in Uma claridade que cega
 
 
Beijos,
-F e Katra
 
 
 
 

sábado, 14 de novembro de 2015

Os Filhos de Zeus

Olá leitores, hoje trago mais um post sobre mitologia. Boa leitura.


Ilha de Ortígia
Zeus, pai de todos os deuses, era casado com a deusa do casamento, Hera, e os filhos de ambos eram o deus da guerra, Ares (Marte), e o deus ferreiro Hefesto (Vulcano). Para além destes, Zeus era pai de inúmeros filhos que, se a mãe fosse uma deusa, nasciam dela deuses e deusas. Apolo, o deus do sol, e Ártemis (Diana), a deusa da lua e da caça, eram filhos de Zeus e Leto. A deusa do casamento, espicaçada pelo seu ciúme, proibiu Leto de permanecer em qualquer lugar sólido sobre a terra quando chegou a hora de esta dar à luz. Unicamente, a ilha flutuante de Ortígia lhe deu abrigo e, como recompensa, foi fixada com pilhares de diamantes. Hermes (Mercúrio) era filho de Zeus e da deusa menor Maia. A donzela Perséfone (Proserpina) era filha de Zeus e de Deméter.

Deusa Atena 
A primeira mulher de Zeus foi a deusa da prudência sábia, a Titã Métis, filha de Oceano e de Tétis. Gaia profetizou que, tal como acontecera anteriormente ao seu pai ao avô, Zeus iria ser despojado pelo filho. A Mãe Terra disse também que Métis estava destinada a por no mundo primeiramente uma filha de espírito forte e seguidamente um filho que seria o novo rei dos deuses e dos homens. Zeus encontrou uma forma de evitar esta profecia. Este optou por uma solução parecida com a do seu pai: engoliu a grávida. Assim, a Titã só teve uma filha a qual cresceu dentro do corpo do pai até que este começou a ter dores insuportáveis de cabeça, a ponto de, segundo o mito, ordenar a Hefesto que pegasse num machado e lhe abrisse o cérebro. De dentro de Zeus, saiu uma deusa adulta, já equipada de com a armadura e pronta para a batalha, Atena (Minerva). Embora a deusa guerreira tenha nascido adulta, não estava interessada em desafiar o pai ou tentar salvar a mãe como acontecera com os seus antecessores. Quando o pai de todos os deuses engoliu a Titã Métis, incorporou a sabedoria e a prudência. Assim, Zeus pôs um fim às desavenças e ao ressentimento que tinham levado à destituição gerações anteriores. Atena era a filha favorita de Zeus e esta foi-lhe sempre leal. Era a deusa da habilidade e da astúcia, da inteligência e da ingenuidade. Com o nascimento de Atena, o ódio e o terror que dominava entre pais e filhos da família dos deuses do Olimpo terminou. 


Bibliografia:

Livro "Mitologia e lendas de todo o mundo".
Livro "Dicionário cultural da mitologia Greco-Romana".


Beijos,
-F




segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Entrevista a Catarina Pinto

Olá leitores.
Hoje trago uma entrevista feita à escritora Catarina Pinto. Já postei um poema desta autora no mês de Setembro intitulado de "Escuridão da Alma".
Agradeço desde já à Catarina por disponibilizar um pouco do seu tempo para responder à entrevista.




   Entrevista:


1 - Catarina, como foi e quando se deu o seu encontro com a arte?

A verdade é que começou bastante cedo, ainda mal sabia ler e perdi-me nos inúmeros livros que os meus pais tinham em casa. Já na escola era costume ir à biblioteca e escolher um livro para o "fim de semana"... Lia um pouco de tudo: poesia, histórias juvenis, romances... Esse hábito de leitura começou cedo e tem me acompanhado desde sempre.


2 - Quais as influências de infância e de adolescência que marcaram a sua vida, tanto como escritora, como uma mulher adulta?

Principalmente os meus pais, os livros e os poetas e/ou escritores que deixaram uma marca forte no nosso país, desde Florbela Espanca, Eça de Queiroz, Pessoa... Recordo perfeitamente de ir para a Biblioteca Municipal do Porto nos dias em que não tinha aulas de tarde (isto na adolescência).



3 - O "Idílio" foi um sonho completamente realizado? Se não foi, o que faltava?

Considero que o "Idílio" foi realizado, cada poema é de algum momento específico, mas que começou e por ali terminou... E logo de seguida, surge outro e é como um ciclo de vida...


4 - No "Idílio" um dos pontos que se toca, além do amor, da tristeza e do agradecimento, também se fala da terra maravilhosa que é o México. O que houve de tão especial no México para a fazer amar assim tanto essa terra?

É verdade, e falo porque o México faz parte de mim, costumo dizer que sou Mexicana de alma e cada vez mais acredito nisso. Existem lugares onde nós nos sentimos em casa e foi assim durante os mais de dois anos que lá estive. Foi um momento de encontro e de conciliação comigo mesma, foi o amadurecer que tanto ansiava. O México desde muito cedo passou a fazer parte da minha vida, desde os onze anos que tinha um fascínio e ainda tenho os meus primeiros livros do México que eram guias de viagem, mas para mim eram e são um dos meus tesouros, pois o que eu sonhei durante anos evoluiu para a realidade e a verdade.


5 - O México influenciou a sua maneira de escrever?

Completamente, lá senti algo único, a liberdade e o gosto por viver Tudo o que lá se passou de bom ou de mau, moldou a minha escrita totalmente. Passou a ser uma descoberta de novas palavras, de um novo idioma que iria deixar "lascas" na minha poesia.


6 - Que tipo de feedback o "Idílio" tem recebido?

Tem sido bastante bom o feedback dos leitores, têm acarinhado bastante, o que nos leva a sentir bem e quando se identificam com um ou mais poemas é deveras gratificante, conseguimos lá chegar, ao interior do leitor. Por diversas vezes disseram-me "é exatamente o que eu sinto, mas não sei dizer, não sei escrever..."


7 - Fale um pouco sobre si, quem é a Catarina Pinto?

Catarina Pinto é uma pessoa completamente normal, com uma longa história de vida como todos. Que não desiste dos seus sonhos. Há sempre um caminho para seguir... Hoje em dia sou uma pessoa apaixonada pela vida e por quem me rodeia.


8 - Para quem escreve?

Para mim, para o meu México, para quem amo, para quem me possa ter ferido, para algum instante que me marcou, para os leitores, para a imaginação... A escrita é na verdade, um jogo poético...


9 - Se pudesse escolher um animal, que tipo de animal escolheria?  E porquê?

Outra vez o México está presente, se pudesse escolher seria um quetzal, um pássaro que predomina na América Central e porque está associado de uma certa forma a uma divindade das culturas mesoamericanas como toltecas e astecas, Quetzalcoalt, ou seja, a serpente emplumada.



10 - Qual é o seu maior sonho? E o maior medo?

O meu maior sonho já o realizei, sobreviver diariamente e ter encontrado a paz e a felicidade. O maior medo é um dia perder o que consegui.


11 - Tem algum arrependimento?

Não. O que fiz de mal está feito e não há maneira de mudar. Se mudasse, com toda a certeza não estaria onde estou nos dias de hoje. E não é o que quero.


12 - Há algum projeto em vista?

No computador imensas ideias já escritas ou alinhavadas como pequenos livros de poesia, cada um com uns trinta poemas, um romance, um livro de contos e outro sobre o México... E espero num breve período de tempo ter o prazer de publicar.



13 - Que conselho daria a jovens escritores?

Jamais desistam de um sonho, pareça ele uma utopia ou algo estranho... É preciso saber esperar, porque no momento certo sucede. Continuem sempre a escrever, sejam persistentes, aceitem as críticas mas sejam vocês mesmos, não mudem para parecer bem... Quantas vezes ai está a diferença e o sucesso.




Autobiografia: 

Nasci em 1981 na freguesia de Fânzeres, Gondomar. Hoje resido em Amarante.
Tive a oportunidade de viajar e inclusive vivi dois anos no México (país da minha alma, que me marcou muito como pessoa e mesmo na forma de escrever.)
Tenho o 12.º ano de Comunicação e Difusão mais um curso de Animadora Sociocultural. Trabalhei como secretária, em organização de festas e em Creche.
Escrevo desde os 13 anos, a escrita é uma forma de refúgio. Ajuda-me a ser uma pessoa diferente. Durante o tempo que estive no México escrevi sob o nome de Nina, de regresso a Portugal optei pelo meu nome mas a escrita tornou-se diferente... Talvez como eu...
Os primeiros textos que escrevi são como uma Antologia... Passam de 2000. Agora comecei a escrever como livro "As histórias que os livros não contam", "Teus Olhos Liláses", "O que resta de mim", "Saudade do Ontem, "A magia das palavras", "Desfolhando pétalas", "Pecado vermelho" e "Cempoalxóchilt"; têm cerca de 20 poemas cada um e não estão publicados.
"Idílio" é o primeiro livro que publico. Participei na Antologia Solar de Poetas I e Mar-à-Tona da editora Modocromia; Poesia Sem Gavetas III  da Pastelaria Studios e por fim Lugares e Palavras do Porto da Lugar da Palavra Editora, todos em 2014.



Beijos,
-F

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Não Digas Nada! de Fernando Pessoa

Olá leitores. Trago mais um poema esta noite. Boa leitura.



Não digas nada!
Nem mesmo a verdade
Há tanta suavidade em nada se dizer
E tudo se entender -
Tudo metade
De sentir e de ver...
Não digas nada
Deixa esquecer

Talvez que amanhã
Em outra paisagem
Digas que foi vã
Toda essa viagem
Até onde quis
Ser quem me agrada...
Mas ali fui feliz
Não digas nada.
 
Fernando Pessoa, in "Cancioneiros".
 
 
Beijos,
-F

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

A Guerra com os Titãs e outras Dificuldades

Olá leitores, hoje trago mais um pouco de mitologia.
Espero que gostem.
 


    Alguns à partes para ajudar a entender melhor o texto:
 
 
Zeus.
 
-Zeus enquanto filho: No último post de mitologia explicava que Zeus era o filho mais novo e que todos os seus irmãos tinham sido engolidos por Crono, o seu pai. Crono era medroso e, por isso, engolia os seus filhos mal eles nasciam. Quando Zeus derrotou o seu pai, todos os seus irmãos voltaram a nascer do estômago de Crono. É por isso que o deus dos deuses é considerado como sendo, simultaneamente, o mais novo e o mais velho dos filhos de Reia e Crono.   
 
 

   Antes de qualquer problema da raça humana ter começado, Zeus teve de negociar com os seus irmãos. Casou com a irmã Hera, deu o domínio do fogo do lar a Héstia e atribuiu a Deméter a responsabilidade das cearas e da fertilidade do mundo. Zeus dividiu o reino do universo entre si, Posídon e Hades. Posídon ficou com o dominio dos oceanos. Zeus tornou-se o deus dos deuses. A Hades foi atribuído o subsolo, contudo, este não ficou satisfeito com a sua parte e, por isso, este aparece tão pouco nos mitos gregos. O deus do subsolo mantinha-se, nomalmente, afastado dos outros deuses que, por sua vez, não estavam interessados em visitar o reino de Hades.


Hades e o seu cão monstruoso Cérbero.



Pormenor de Zeus lançandos os seus Raios.
   Apenas quatro dos filhos de Gaia aceitaram Zeus como deus dos deuses. Os restantes entraram em guerra com os deuses do Olimpo e tudo indicava que iam ganhar exclusivamente pelo número. Zeus lembrou-se dos Gigantes de Cem Mãos e dos Ciclopes que continuavam aprisionados em Tártaro. Ofereceu-lhes a liberdade com a condição de os Gigantes lutarem ao lado dos deuses e dos Ciclopes forjarem uma arma a que nenhum deus, nenhum Titã e nenhum monstro pudesse resistir. Zeus não tardou a ter a sua arma pronta - os raios. Contudo, mesmo com esta ajuda, passaram dez anos até a guerra chegar ao fim e os inimigos do deus dos deuses serem aprisionados em Tártaro.


   A guerra contra os Titãs tinha terminado, mas Gaia estava zangada com Zeus por se ter apossado do poder dos outros filhos, pelo que gerou mais dois filhos, Tífon e Encélado - Gigantes de Mil Cabeças-, estes podiam respirar fogo e empilhar montanhas. Os deuses do Olimpo ficaram aterrados com estes monstros e lançaram-se em fuga para o Egipto, disfarçados de animais. Hades, para escapar à atenção de Tífon, cobiu-se com um elmo da invisibilidade feito exclusivamente para ele pelos Ciclopes. O gigante Tífon apanhou Dionísio (Baco) de surpresa nas margens do Nilo e o deus saltou para o rio, transformando-se de imediato numa criatura cujo corpo era parte cabra e outra peixe, a constelação capricórnio comemora este acontecimento. Afrodite e Eros disfarçaram-se de peixes, este acontecimento também é comemorado com uma constelação - esta pela constelação Peixes. Zeus, Pai de todos os deuses, disfarçou-se de carneiro. Este último foi o único que arranjou coragem para voltar e combater cada um dos gigantes com a sua nova arma, os raios. Quando os gigantes foram derrotados, Encélado continuou a respirar fogo, estremecendo na sua prisão sob o Monte Etna, o que faz com que este seja um vulcão ativo.  Sempre que este tenta libertar-se, a terra agita-se e cada vez que respira fogo a lava é lançada ao ar.


Curiosidade:

Gaia, a deusa da Terra.
-A Hipótese de Gaia: A ideia de que a Terra é uma deusa viva há muito que é rejeitada pela ciência e não teve qualquer interesse na evolução das ciências naturais. Porém, em 1979, James Lovelock publicou Gaia: Uma Nova Visão da Vida na Terra, um livro no qual demonstra algo parecido com a ideia de uma deusa natural da Terra. Por exemplo, ele avança com a hipótese de Gaia, segundo a qual tudo o que vive no planeta pode ser entendido como um organismo. Tal como os seres humanos regulam a temperatura do corpo, assim o planeta Terra parece regular a sua temperatura no valor adequado para que a vida continue a existir. A hipótese de Gaia fala de um planeta cuja superfície é propícia à vida tal como a deusa grega Gaia, a mãe e a protetora de toda a vida. 

 
 

 
Bibliografia:

Livro "Mitologia e lendas de todo o mundo".
Livro "Dicionário cultural da mitologia Greco-Romana".
 
 
 
Beijos,
-F