quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Memória de Carlos Drummond de Andrade

Boa noite. Aqui está mais um poema.
Espero que seja um bom ano para todos!



Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão

Mas as coisas findas
muito mais que lindas,

essas ficarão.



Beijos,
-F

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Amor e seu tempo de Carlos Drummond de Andrade

Boa noite. Um pequeno poema para alegrar mais um pouquinho este resto de natal. Feliz Natal!




Amor é privilégio de maduros
estendidos na mais estreita cama,
que se torna a mais larga e mais relvosa,
roçando, em cada poro, o céu do corpo.

É isto, amor: o ganho não previsto,
o prêmio subterrâneo e coruscante,
leitura de relâmpago cifrado,
que, decifrado, nada mais existe

valendo a pena e o preço do terrestre,
salvo o minuto de ouro no relógio
minúsculo, vibrando no crepúsculo.

Amor é o que se aprende no limite,
depois de se arquivar toda a ciência

herdada, ouvida. Amor começa tarde.


Beijos,
-F

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Inscrição para um portão de cemitério de Mário Quintana

Bom dia, mais um poema neste dia frio de dezembro.





Na mesma pedra se encontram,
Conforme o povo traduz,
Quando se nasce - uma estrela,
Quando se morre - uma cruz.
Mas quantos que aqui repousam
Hão de emendar-nos assim:
"Ponham-me a cruz no princípio...
E a luz da estrela no fim!"





Beijos,
-F

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Tabacaria de Fernando Pessoa

Bom dia. Aqui está mais um poema :D



Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa,
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei-de pensar?

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Génio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho génios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora génios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistámos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordámos e ele é opaco,
Levantámo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.

(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folhas de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)

Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, sem rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.

(Tu, que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -,
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)

Vivi, estudei, amei, e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente.

Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-te como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.

Mas o dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olhou-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, e eu deixarei versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, e os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.

Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?),
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.

Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.

Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.

(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.

O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o: é o Esteves sem metafísica.
(O dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo

Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o dono da Tabacaria sorriu.


Beijos,
-F 

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Os poemas são pássaros que chegam de Mário Quintana

Boa noite.
Nesta fria noite trago um poema de Mário Quintana.


Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto;
alimentam-se um instante em cada
par de mãos e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estavam em ti...



Beijos,
-F

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Bilhete de Mário Quintana

Boa noite leitores. Hoje trago um pouco de poesia. Desta vez é de Mário Quintana. Espero que gostem.





Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim, 
tem de ser bem devagarinho, Amada, 
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...



Beijos,
-F



quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Prometeu, Pandora e Licáon - Parte 2

     Olá meus caros leitores. 
    Como prometido (apesar de já ter passado alguns meses), aqui está a continuação da primeira parte de Prometeu, Pandora e Licáon. Para entenderem esta parte, é melhor relembrarem o que foi dito anteriormente. Para isso, podem ver por aqui. 




O Roubo do Fogo

     O pai dos deuses honrou a sua palavra. A divisão da carne feita por Prometeu, seria sempre da mesma maneira para todos os sacrifícios futuros. Zeus, nada podia fazer para alterar o acordo. Este, porém, podia vingar-se tanto da humanidade como de Prometeu que tanto gostava deles, fazendo um novo regulamento. Como castigo, nenhum humano podia usar o fogo, ou seja, não poderiam se aquecer, não podiam forjar armas e, o mais importante, não podiam cozinhar alimentos. Se aos deuses era negada a possibilidade de cozinhar alimentos nos seus altares, aos mortais seria negada a possibilidade de terem alimentos cozinhados nas suas mesas.

     Prometeu subiu ao Monte Olimpo para roubar o fogo dos deuses. Diz-se que a deusa Atena (Minerva) o terá ajudado, visto que, ela protege a inteligência e a habilidade. Prometeu manteve o fogo numa cana oca ou talvez num pé de funcho enquanto descia para o mundo mortal. Viajou por todo o lado onde viviam seres humanos. O Titã espalhou por todo o lado a dádiva do fogo e não tardou a haver tantos fogos em tantas lareiras que os deuses  foram incapazes de os apagar. 



Pandora

Pandora e a caixa.
    Zeus estava furioso e decidiu pregar uma partida à humanidade e aos Titãs. No entanto, Zeus era cauteloso ao tentar enganar Prometeu, embora estivesse muito confiante de que o irmão poderia ser facilmente enganado por Epimeteu, o qual não era o mais esperto dos Titãs. Zeus pediu a Hefesto (Vulcano), o deus ferreiro, para construir uma bela mulher de barro e para a nomear de Pandora, cujo significado do nome é "cheia de todos os dons". O pai dos deuses colocou nos braços de Pandora uma grande caixa que estava selada e disse ao filho Hermes (Mercúrio) que a entregasse a Epimeteu como noiva, sendo um presente dos deuses. 
     Prometeu avisou o irmão para ser muito cauteloso com todos os presentes que viessem de Zeus, que não tinha nenhuma razão para ser amistoso. Como Pandora era uma mulher muito bela, Epimeteu decidiu casar-se com ela. Hermes avisou Pandora para nunca abrir a caixa que possuía. Nas primeiras semanas, Pandora resistiu à tentação mas, de dia para dia, a sua curiosidade crescia. Esta bela mulher pensava que dentro da caixa estaria alguma coisa preciosa e que era injusto por parte dos deuses terem-lhe dado algo e proibi-la de ter esse prazer. Por fim, Pandora abriu a caixa. De dentro da misteriosa caixa, saiu todas as doenças e desastres que assombravam a humanidade. Pandora ainda tentou fechar a caixa, no entanto, só conseguiu manter lá dentro a Esperança. 
     Em outra versão desta história que tenta desculpar os deuses, diz-se que se, de facto, a Esperança estava no fundo da caixa, por certo o resto do conteúdo era igualmente encantador. Nesta versão, a caixa estava a abarrotar de dádivas, as dádivas dos deuses do Olimpo e todas elas, à exceção da Esperança, foram por nós perdidas devido à curiosidade de uma louca. 
   

Curiosidade

     Esta história, de como o mal chegou ao mundo devido à loucura de uma mulher, é o reflexo da história bíblica da tentação de Eva pelo Fruto Proibido, o que trouxe a morte ao mundo juntamente com outras calamidades. Alguns teólogos argumentam que o mito de Pandora é uma imagem fraca da verdade bíblica. Críticos especializados em mitos, frequentemente, classificam todas as mulheres pela introdução do mal no mundo como fruto de uma sociedade patriarcal. 


Bibliografia

Livro "Mitologia e lendas de todo o mundo".
Livro "Dicionário cultural da mitologia Greco-Romana".








Beijos,

-F



quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Intimidade


Boa noite. Esta noite trago um poema de Miguel Torga. 



Meu coração tem quantos versos quer;
É só pulsá-los com medida e rumo.
É só erguer-se a pino a um céu qualquer,
E desse alado azul cair a prumo.

Logo se desvanece o negro encanto
Que os tinha ocultos no condão da bruma;
Logo o seu corpo esguio rasga o manto,
E mostra a humanidade que ressuma.

Mas quanto ele sangra para os orvalhar
De ternura, de sonho e de ilusão,
São outros versos... para segredar
A quem é seu irmão. 



- Miguel Torga in Diário (1943)


Beijos,
-F

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Soneto 116

Boa tarde, hoje trago mais um poema. Boa leitura.


De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera,
Ou se vacila ao mínimo temor.
Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante,
Cujo valor se ignora, lá na altura.
Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfange não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,
Antes se afirma para a eternidade.
Se isso é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou.



-William Shakespeare
Beijos,
-F

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Prometeu, Pandora e Licáon - Parte 1

Olá leitores :)
Como prometido, hoje trago um pouco de mitologia. Estes mitos vão ser divididos entre três a quatro partes. Quero ver se posto cada parte, pelo menos, uma vez por semana.
Boa leitura.




Prometeu e Epimeteu eram dois filhos do Titã Jápeto e da ninfa do mar Clímene.
Prometeu, fazendo valer o seu nome, que traduzido do grego significa "espectativa agradável", era alguém que planeava o futuro. O nome do seu irmão, Epimeteu, significa "olhar para o passado". Apesar de Epimeteu ser bom a prestar atenção ao passado, esta dádiva não o ajudou na sua época de contrariedades. Este par de irmãos, apesar do significado dos deus nomes, não conseguiram viver uma vida feliz.
Sacrifício aos deuses
Após Zeus e os seus deuses terem destronado os Titãs, todos os deuses do poderosos Olimpo queriam que os seres humanos oferecessem sacrifícios de carne. O povo oferecia sacrifícios, conforme os festivais sagrados exigiam, com o objetivo de se alimentarem da carne sacrificada. Tanto os deuses como os humanos procuravam ficar com as melhores partes. Prometeu foi escolhido para cortar um animal para sacrifício para que Zeus pudesse escolher a metade que mais lhe agradasse e para decidir, para sempre, qual metade pertencia ao pai dos deuses e qual metade ficaria para os humanos.
Prometeu sempre quis ajudar a pobre humanidade e deve ter pensado que esta divisão de carne era injusta visto que os deuses nunca tinham tido qualquer trabalho. Por isso, cortou, com todo o cuidado, as carcaças e amontoou a carne comestível por baixo da pele, colocando o estômago por cima, pelo que todo o monte tinha um aspeto pouco apetitoso. Fez um outro monte com ossos cobertos com uma espessa camada de gordura do animal, dando a entender que parecia estar pronto para ser cozinhada para uma festa.
Zeus escolheu o monte de ossos e gordura. Ninguém sabe se ele foi enganado ou se fingiu, pois talvez ele tenha visto mais além, prevendo uma oportunidade de se vingar de toda a humanidade e do Titã Prometeu. De qualquer modo, mais nenhum animal foi sacrificado em nome de um deus e apenas ossos e gordura passaram a arder nos altares. Os deuses têm de se contentar com o cheiro da gordura enquanto que os humanos se banqueteiam com a carne.



Bibliografia:

Livro "Mitologia e lendas de todo o mundo".
Livro "Dicionário cultural da mitologia Greco-Romana".
 
 
Beijos,
-F